“A mulher nua é um romance deslumbrante, não apenas pela sua prosa refinada e igualmente singular, mas pela sua capacidade de conjugar o aspecto fantástico com uma perspectiva feminista e filosófica em torno do eros. A protagonista, Rebeca Linke, acorda no seu trigésimo aniversário, arranca a própria cabeça, coloca-a de volta e adentra o bosque. A partir daí, vai se deparando com homens, povoados, violência, desejo, fome – em uma história vertiginosa, publicada em 1950, que beira o delírio. Bem à frente do seu tempo, alguns a julgaram obscena (não tanto pelo modo como trata a sexualidade, mas pela crítica social raivosa que conduz por meio dos tabus).
Somers é uma das grandes escritoras do século XX que foram negligenciadas, ou melhor, ignoradas pelo mundinho literário. No fim da vida, conquistou leitores fiéis e boas críticas, mas só agora sua obra está sendo traduzida e valorizada pelo que realmente é: original, desafiadora, experimental, poética e plástica. Tem de ser lida. Digo sem medo: é um clássico ainda por descobrir.”
_Mónica Ojeda
![A mulher nua [envio em 01/07]](https://relicarioedicoes.com/wp-content/uploads/2026/06/CAPA_AMulherNua.jpg)
